sábado, 18 de fevereiro de 2017

O Lado Bom da Depressão !

Flávio Gonzalez *
     Gandalf, o mago de “O Senhor dos Anéis”, disse em uma ocasião ao Frodo que “às vezes tudo o que temos que decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado”. Esta decisão é de cada momento, pois o tempo, este “Senhor tão bonito” cantado por Gilberto Gil, é o fluxo de cada instante. Não é preciso decidir amanhã ou ontem, mas tão somente “agora”.
     Viver é processo. Isto nos ensinou Jung. O psiquismo humano é “teleológico”, ou seja, avança na direção de uma meta: o processo de individuação. Então, a cada passo, mais do que se perguntar “porque”, é muito mais sábio se perguntar “para que”. Isto é bíblico, inclusive. Está lá em João 9, 1-3, que seus discípulos ao verem um homem cego, perguntaram a Jesus quem havia pecado, se ele, o cego, ou seus pais. Enfim, eles queriam saber “porque” aquele homem era cego. Mas, o mestre lhes respondeu que “nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu PARA QUE a obra de Deus se manifestasse na vida dele”.
     A dor, em todas as suas manifestações, cumpre um papel em nossa existência. Nos hansenianos do passado, ditos “leprosos”, talvez o maior de seus problemas tenha sido a insensibilidade à dor. Sim, pois caso colocassem a mão no fogo, sem perceber, nada sentiriam, e a estrutura seria comprometida, destruída. A dor, pois, cumpre uma função. Ela existe “para que” preservemos a integridade do nosso corpo. A febre, todos sabemos, é uma espécie de alarme. Não é o mal em si.
    Psiquicamente não é diferente. Temos um “caminho” a seguir, uma “senda” ditada pelo nosso eu mais profundo, o Self, que nos leva ao desenvolvimento, ao processo de individuação, que é, talvez, a razão de ser de nossas vidas. A dor surge quando, distraídos, relutantes ou recalcitrantes, fugimos do nosso desenvolvimento e “atrapalhamos” o processo. A dor psíquica então vem para nos “obrigar” a corrigir a rota, tal como se fosse o “braço esquerdo de Deus”, aquele que nos leva para o caminho, mesmo contra nossa vontade.
     Depressão significa descida. Está na prova do DETRAN a pergunta sobre “depressão na via”. Hora de reduzir, de prestar mais atenção no caminho. Vivemos, via de regra, na superficialidade da existência. Correndo atrás de dinheiro, vendo televisão, enfim, “empurrando com a barriga”. Em alguns momentos isto é muito bom. Significa estabilidade, simples conquista de competência, o que é o lado bom da “rotina”. Mas, se paramos de crescer, se abandonamos ou nos desviamos do nosso processo, aí vem a dor em forma de sintoma. Uma aliada poderosa para que avancemos, busquemos uma vida mais plena. Este é o momento de “mergulhar” no inconsciente. Este é sempre simbolizado pelo porão, pela profundidade, pelo fundo das águas, o que é de uma sabedoria impar. Assim, a “depressão” nos lança no “fundo do poço”, pois é lá que estão as “moedas” dos nossos desejos esquecidos, das nossas paixões adormecidas, das nossas possibilidades não vividas, enfim, nossos tesouros escondidos. Para alcançá-los, no entanto, não tem jeito, precisamos ir pra “baixo”. Este é o “para que” da nossa depressão. Nunca voltaremos de lá de mãos vazias, nunca! O que acontece muitas vezes é que a vida nos lança no fundo, faz o seu papel de verticalização, para que deixemos, ainda que contra a vontade, a horizontalidade do raso, e temos dificuldades para sair de lá, geralmente porque não aceitamos o “convite” que ela nos faz.  Pessoas “rasas”, sem “profundidade” são muito pouco interessantes e conhecem muito pouco a si mesmas. Só quem mergulhou, só quem sofreu, pode ter aqueles olhos profundos que chegam a impressionar em alguns.
    Isto não significa que “depressão” não seja doença. É sim e precisa ser tratada. Em muitos casos o tratamento inicial precisa ser medicamentoso, mas só a psicanálise vai depois nos ajudar a descobrir este “para que”. Porém, como tudo que nos faz sofrer, a depressão não é apenas doença, mas é também cura. É a partir dela que vamos ascender. Veja que no credo apostólico, rezado pela maioria dos cristãos, antes de “subir” aos Céus, Jesus “desceu” à Mansão dos Mortos. É sempre assim: antes da ressurreição, a páscoa. E quem tiver medo da cruz não pode renascer melhorado. É como diz a canção do Dani Black, lindamente cantada com o Milton Nascimento, “Maior”: para ser maior do que era antes há “aquelas dores que deixamos para trás sem saber que AQUELE CHORO VALIA OURO”.
     Não que devamos buscar o sofrimento, à maneira de certos masoquistas, nos moldes medievais. Não! Isto é antinatural. O psiquismo é voltado para o prazer, já nos ensinava Freud, e vamos sempre buscá-lo. Mas, como diz o Eclesiastes, há um tempo pra tudo: tempo de falar, tempo de calar, tempo de guerra, tempo de paz. Que tempo você está vivendo agora? Se for o “tempo” da depressão, pois um dia ele chega pra todo mundo, sabendo que é passageiro, nos lembremos, repito, do ensinamento do velho Gandalf: “às vezes tudo o que temos que decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado”. Aceite que a vida te levou para o fundo e se pergunte “para que”, o que você precisa colher lá nas profundezas e trazer à tona? Que Atlântida submersapode estar escondida dentro de suas próprias profundezas? A resposta é acolher o que a vida traz, o que exige coragem porque mergulhar assusta. Depois, “decidir o que fazer”, ou seja, agir na direção que está sendo mostrada, deixando para trás, com ousadia, tudo aquilo que não serve mais, peso desnecessário, e retomando nossa trilha que, invariavelmente, vai nos levar a patamares superiores de desenvolvimento e de ... felicidade. Quando tudo passar (e vai passar), tenha a certeza de que você vai olhar para o caminho percorrido e dizer: sim, “eu sou maior do que era antes, estou sou melhor do que já fui ontem”. Somos filhos do mistério e do silêncio. Somente o “tempo” vai nos revelar quem somos.


*psicanalista, membro do CONBRAPSI, psicólogo e teólogo.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Psicanálise hoje: faz sentido?

 

     Flávio Gonzalez: Psicanalista, Membro do Conselho Brasileiro de Psicanálise e Psicoterapias, Psicólogo, Teólogo, Mestrando em Aconselhamento e Autor de diversos Livros, entre os quais "Emprego Apoiado - Uma leitura Psicanalítica".  Está organizando, com a diretoria do CONBRAPSI, o Núcleo de Estudos Rubem Alves.   


     Inúmeras publicações existem questionando a validade da psicanálise em nosso tempo. Afinal, com tantos avanços na medicina, na psicologia mesma, faz ainda algum sentido falar em psicanálise?  A pressa é a marca do nosso tempo, assim como a praticidade, a busca de resultados objetivos e rápidos.  Assim, a neurologia, com seus amplos estudos de imagem, suas ressonâncias, suas respostas, vai configurando novas formas de tratamento, de intervenção. Uma nova medicação aqui, outra ali, uma nova “técnica” psicológica que reconstrua certos caminhos neuronais, refaça modelações e condicionamentos, desfaça pensamentos disfuncionais e, pronto, estamos curados!   Mas, a realidade não é bem esta. Lembro-me de minha falecida avó.  Depressiva e cheia de ansiedades, há uns quatro anos atrás ela me contou que estava tomando um remédio, um psicotrópico famoso.  Eu lhe perguntei - “mas, e então vó, melhorou?”.  Ela, na sua grande simplicidade, respondeu – “não muito, pois antes eu tinha muita vontade de chorar e chorava, mas agora eu sinto vontade, mas não consigo chorar e acabo me sentindo mal”.  Não vai aqui, de nossa parte, nenhuma restrição ou crítica à medicação ou mesmo outras diversas modalidades de terapias, inclusive as complementares: tudo isto pode e deve ser usado, com as indicações adequadas, feitas por profissionais competentes, que saibam o que estão fazendo, na medida do necessário. Entretanto, afirmamos categoricamente que nenhum destes recursos, por mais milagrosos que possam parecer, invalidam ou sequer substituem a psicanálise.  Esta, precisa evoluir sempre, claro, mas tem seu papel justo e definitivo junto à humanidade.
     Um “mito moderno” é, sem dúvida, a biologia, sobretudo no que tange às suas especializações mais complexas, a neurologia e a genética. Então, tudo volta, sem que percebamos, a ser reduzido e explicado pelas conexões cerebrais, pelos hormônios, a disfunção de alguma glândula com seus efeitos corticais etc.  Isto, porém, reedita a velha imagem do ser humano como máquina, o que é, de certo modo, negar nossa subjetividade e, principalmente a nossa “historicidade”.  Somos históricos sempre, já dizia o saudoso Hélio Pellegrino.  Por isto, sempre respondo que, se por um lado somos marcados pela nossa biologia, somos também, sem dúvida alguma, marcados pela nossa biografia.  Mais que marcados: somos nossa biografia.  Sejamos que formos, com o biótipo que tivermos e herdeiros de que herança genética for, uma coisa é certa: além disto, graças a isto, apesar disto ou por isto mesmo, temos uma história.  Sim, e nossa história passa pela biologia, mas passa pela História com seus aspectos geográficos, políticos, sociais, passa por todas as nossas relações mais íntimas e pessoais, passa por significados que atribuímos a cada trecho dela e por todas as escolhas que fizemos ou deixamos de fazer.  Enfim, temos, cada um de nós, não há como, uma história própria que é, precisamente, o terreno da psicanálise.  A biologia é parte desta história, não há dúvida, mas não é a história em si, pois esta foi tecida no terreno dos afetos, dos símbolos, dos sonhos, dos desejos, de tudo aquilo que nos constitui como sujeitos, como pessoas.  Digo sempre para meus eventuais alunos: enquanto tivermos história, haverá a psicanálise. Quando não tivermos mais história, a psicanálise acaba, mas também acaba a vida, pois esta é sempre biografia, nunca pura biologia, exceto se estivermos falando de vegetais. E digo sempre, de modo provocador: a psicanálise não faz sentido nenhum, mas busca o sentido que cada sujeito deu para si e para a própria história, ajudando-o a descobri-lo e, se for o caso, a refazê-lo. Nenhum remédio consegue fazer isto.  Como disse certa vez o velho Sartre, podemos curar uma neurose, mas nunca poderemos nos curar de nós mesmos.  É possível que um dia algum remédio cure definitivamente a depressão, a ansiedade e outros problemas humanos.  Quando este dia chegar, no entanto, cantaremos a canção do Arnaldo Antunes, “socorro não estou sentindo nada”, e buscaremos na psicanálise, enfim, um fio de humanidade que possa nos levar de volta ao centro de nós mesmo, pois é de lá, e apenas de lá, que é possível nos ligar ao outro, o que constitui o único sentido de nossas vidas.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal: o que a psicanálise tem a nos dizer ?





Flávio Gonzalez: psicanalista, membro do Conselho Brasileiro de Psicanálise e Psicoterapias, psicólogo, teólogo, mestrando em aconselhamento e autor de diversos livros, entre os quais “Emprego Apoiado – Uma leitura Psicanalítica”.


     O fundador da psicanálise, Sigmund Freud, era assumidamente ateu.  Para ele a religião, como a cultura em geral, representava o mal estar da civilização, uma vez que são instrumentos para repressão e controle de nossas pulsões mais primitivas. Entretanto, ele não deixou de analisar diversos aspectos simbólicos da religião, inclusive casos de possessões demoníacas etc. Outros expoentes da psicanálise, entretanto, eram cristãos não ortodoxos, claro, pois isto seria incompatível com a psicanálise, mas definitivamente não eram ateus, entre os quais destacam-se Bion e, sobretudo, Winnicott, que, em nossa avaliação, foi um dos teóricos que mais longe levou a psicanálise depois de Freud. Winnicott era inglês, de família metodista, e, justamente numa carta a Bion, disse que não estaria disposto a abandonar sua espiritualidade em nome da ciência.  Podemos ainda citar Jung, claro, que, embora tenha se distanciado da psicanálise clássica, partiu dela e explorou de modo talvez mais profundo a dimensão religiosa do ser humano. Em uma de suas mais famosas entrevistas, ao ser questionado sobre se acreditava ou não em Deus, ele respondeu: “eu não preciso acreditar, eu sei”.
O que escrevemos aqui, deixa-se claro, é uma leitura do Natal a partir de ferramentas psicanalíticas, mas sem entrar no mérito teológico ou discutir as crenças e a fé de cada um.  Esta é uma questão de foro íntimo e não nos cabe invadir este território.
     Temos na belíssima imagem do Menino Jesus, nascendo numa pobre estrebaria, cercado de animais e de humildes pastores, embora visitado por reis, uma das mensagens mais poderosas que se poderia abstrair em termos psicanalíticos: em meio à animalidade, em meio à miséria, pode nascer e nasce aquilo que temos de melhor, de mais humano, de mais civilizado. Com efeito, é o divino brotando do animalesco, o sagrado emergindo do profano, o extraordinário que nasce em meio ao ordinário.  Como Buda, representado pela Flor de Lótus, como sendo a perfeição que nasce do charco, da lama, daquilo que mais indiferenciado e sujo existe, mas que guarda em si a potencialidade do belo, do bom, do justo. Assim, o Menino Jesus, Príncipe da Paz, nasce entre os animais e é colocado junto com seu pasto, lugar onde se alimentam.  Mais tarde, ele se fará pão e vinho, alimento dos homens. A mensagem parece nos dizer de seu poder de infundir em nós as grandezas do Alto, a representar as forças latentes de nosso inconsciente que podem nos levar a estágios mais diferenciados e superiores de desenvolvimento.  Alimentando-nos dele, como crianças que somos psiquicamente, nos tornaremos fortes, sábios, equilibrados com nossas forças antagônicas.
     O “inimigo” está dentro de nós.  Mas, esta criança pode nos trazer a paz.  Assim, a beleza na cena de Natal também nos revela esta outra sabedoria: os anjos, os reis, os pastores, os animais, enfim, todos, se curvam à beleza e leveza da criança, que é a criança em nós, como a se reportar ao que Freud dizia: “a criança é o pai do homem”.  Mais tarde, Jesus reforçaria isto ao dizer que “ninguém pode entrar no céu se não se tornar como este menino”.  É nosso “Eu” mais profundo, tocando o Sagrado, para nos lembrar que, felizes, livres, belos e generosos, só as crianças que fomos e, se as deixarmos pelo caminho, esquecida, perderemos a essência de nossa própria vida.  Assim, os reis se curvam diante da criança, para nos recordar que, soberana, apenas ela, a ser transfigurada na maturidade, entre páscoas e ressurreições que temos ao longo da vida, mas nunca vencida, nunca superada, pois ela é o eterno em nós, a gema do diamante que somos.
     E Jesus, ao contrário dos ícones sisudos e tristes com os quais às vezes o retratam, nos convida à alegria.  A célebre e imortal obra de Bach, “Jesus, alegria dos homens”, nos recorda disto. Seu primeiro “milagre” é numa festa, a converter água em vinho.  Mais tarde, na festa de páscoa que antecedeu sua morte, este vinho é convertido em seu sangue, a celebrar a união da terra com o céu, da vida e da morte, da dor e do prazer.  É a união dos opostos de que nos falava Jung, a harmonizar todo conflito interior e nos ensinar a estar em paz e plenos, na convivência com nossos conflitos.

     Jung acenou que não era fácil ser cristão, o que dificultava a vida psíquica dos ocidentais, pois Jesus é perfeição demais, difícil de imitar na prática. Um padrão muito superior, quase inatingível. Mas, apesar de todo o nosso materialismo, e toda a nossa ganância, de todos os nossos conflitos, é em nome dele que nos reuniremos com nossos entes mais queridos para celebrar algo que não sabemos muito bem o que é.  Apenas o nascimento de uma criança, que morreria mais tarde condenada à morte, mas que nos encheu de uma esperança eterna e irresistível e que talvez nos acene para o nossos mais altos destinos como pessoas, como indivíduos e como coletividade. Tudo isto é simbólico ou não, depende da fé de cada um, mas, seja como for, seja você ateu, muçulmano, judeu, umbandista, cristão, espírita ou nenhuma destas alternativas.  Seja você quem for, uma coisa é certa: você foi um dia criança e, sendo criança, você sonhou e imaginou, projetou no mundo sua esperança de felicidade. O Natal talvez seja apenas o momento de recordarmos desta criança que fomos, que ainda está lá no intemporal do inconsciente, e talvez queira lembrá-lo dos seus sonhos, das suas esperanças mais íntimas e secretas, a pedir de você hoje adulto, que de algum jeito possa atendê-la, não para que, ilusoriamente, a vida se torne fácil, mas simplesmente para que, fácil ou difícil, você a faça valer a pena. É tudo o que ela espera de você.  Em nome do CONBRAPSI: Feliz Natal!!

sábado, 5 de novembro de 2016

DIVÃ VIRTUAL - ATENDIMENTO ON-LINE EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO

https://divanvirtual.psc.br/

O Divã Virtual é uma entidade recomendada pelo Conselho Brasileiro de Psicanálise e Psicoterapias.

Parabéns ao Ilustre Professor Dr. Edson Ribeiro
Psicanalista e Criador do Divã Virtual




Profissionais e Pacientes, entrem e façam o seu Cadastro !!!




quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O REGISTRO CBPSI: O QUE É ?

CBPSI é o Registro Profissional da nossa Organização. CBPSI é a marca registrada, a qual atesta a filiação espontânea do profissional ao CONSELHO BRASILEIRO DE PSICANÁLISE E PSICOTERAPIAS, o que resulta em compromisso contratual ao cumprimento dos nossos requisitos éticos.
Cabe observar que o CBPSI, seja como marca registrada, tanto a Carteira (fisicamente), quanto numeração e Certificados, pertencem à organização e permanecem em usufruto de cada filiado, somente enquanto manter-se como tal e igualmente permanecendo cumpridor das normas éticas e qualitativas internas.
Em caso de desligar-se ou ser descredenciado, o profissional se torna ex-filiado, perdendo o direito de usufruir, nem mesmo divulgar-se com sua Carteira ou numeração de CBPSI, pois, além de anti-ético, seria ilícito, estando sujeito a sanções estatutárias e legais cabíveis.
Por todo este zelo e segurança em ser filiado ao CONBRAPSI é que proporciona tranquilidade maior aos Clientes, os quais ainda tem à sua disposição o próprio Conselho para dirimir dúvidas e até para funções de Ouvidoria quanto ao correto e ético desempenho profissional, nos contatando de qualquer lugar do Brasil através de e-mail, telefone ou Whatsapp.

sábado, 18 de junho de 2016

Não deixe o medo te limitar

Os sentimentos são as formas que encontramos de dar respostas ao que vivenciamos.  Todos eles são válidos e contribuem para nossa manutenção na vida, de forma saudável. Contudo, em muitos momentos, distorcemos emoções, e a manifestação dos sentimentos deixa de ser algo tão autêntico e natural.
O medo, por exemplo, é um sentimento adequado para nos livrar de situações de perigo eminentes, concretas. Porém, muitos de nós no decorrer da vida vai se  amparando nesse sentimento para justificar situações que não se baseiam em fundamentações definidas.
Sim! É normal que eu tenha medo de um animal feroz, ou que me incomode e fique apreensivo de estar sozinho em algum lugar já identificado como perigoso. Mas ter medo de viver?! Por quê?! O que te faz querer evitar o que ainda está por vir?
O medo, para muitos de nós, tem sido uma forma limitadora de prosseguir a vida. “Tenho tanto receio de ser mal-interpretado, de não ser bem sucedido que nem faço, nem tento!”
A censura começa dentro de cada um que resolve escolher não agir. Isso mesmo: O medo paralisa. E aí, de repente você não vai mais a lugar nenhum.
Emoções e emoções dando volta num mesmo lugar. Sem encontrar caminhos mais oportunos para dar sentido à vida. E a falta desse sentido adoece, entristece, faz de você e parte do mundo a sua volta mais embotado, menos feliz.
Não permita que o medo possa te dominar! Viva cada emoção que surja na sua vida de forma intensa e adequada. Dê nomes a tudo que aconteça com você. Dessa forma fica mais fácil de entender o que está acontecendo e faz parte do curso adequado das circunstâncias, e o que está exagerado e precisa ser revisto.
A vida nos oferece a todo momento oportunidades inesperadas. Não se sabote! Experimente o inesperado com a confiança de que está tomado atitudes corretas. Dê um curso adequado às suas emoções. Quem respeita o que sente consegue ter uma organização mental muito mais eficiente. E quando estamos centrados, de corpo e mente muita coisa boa se realiza!
Mude a sua forma de perceber e experimentar o mundo e entenda que a vida, sem limitadores desnecessários, é libertadora!

Renata Adriane- Psicóloga, Consultora e Palestrante. Gestão de Conflitos, Negociação, Liderança, Motivação e Sucesso são suas expertises. Tem um sólido trabalho desde 2007, descobrindo talentos, potencializando o trabalho de gestores e suas equipes através da valorização do diálogo qualificado.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Somos Resilientes




As pessoas estão sempre buscando a FELICIDADE, um conceito tão amplo que até hoje ninguém foi capaz de definir de forma objetiva. Isso não aconteceu simplesmente porque não há maneiras de descrever diretamente um sentimento que é diferente para cada um.  Fato é que, não existe uma felicidade plena, mas momentos em que ela pode ser sentida; e alcançar um estado de graça duradouro torna-se tarefa hercúlea, principalmente nos dias atuais, com a velocidade com que as coisas acontecem.

Com o constante fluxo de informações a que somos submetidos e relacionamentos muitas vezes voláteis e superficiais que temos que conviver, devemos ter em mente sempre que não podemos desistir. Temos que apresentar características de resiliência apurada e bem desenvolvida. Mas o que seria ser resiliente?

Da mesma forma que ocorre com a definição de felicidade, não é tarefa fácil delimitar em simples palavras um conceito que acaba variando de pessoa para pessoa. De maneira geral, poder-se-ia explicar a resiliência como a capacidade que o ser humano tem de se reinventar; de encontrar dificuldades na vida e demonstrar meios de superar os obstáculos que antes pareciam intransponíveis; de saber lidar com as crises diárias que se interpõem no nosso caminho da felicidade; de, apesar de machucado, saber se levantar e aprender com os ferimentos e fazer curar as feridas.

É muito mais do que isso, é ter a flexibilidade necessária para, mesmo diante de uma queda, saber erguer-se e, com o pensamento positivo, traçar uma nova trilha, clara e na certeza de que o pior já passou. Ou melhor, que o melhor sempre está por vir.

Entretanto, uma melhor maneira de demonstrar as palavras aqui jogadas, é traduzir através de exemplos de resilientes que estão ao nosso lado e que por vezes passam despercebidos. São eles os trabalhadores que passam horas no transporte para ir trabalhar, sem desistir ou esmorecer; como as mães diante das dificuldades enfrentadas por seus filhos, na certeza de que eles sempre vão melhorar, mães que não desistem, se mantém firmes nas orientações e nas orações;

            Resilientes como os doentes que acometidos de uma doença grave, mas mantém-se na luta pela vida, pelejando por anos esse combate (que para muitos já era considerada batalha perdida); são os nordestinos que lutam contra a seca, sobrevivendo de modo heroico e ainda persistindo pela vida no sertão; ou mesmo os moradores da nossa Amazônia que se mantém na área caracterizando o território do nosso Brasil.

            São resilientes também, os moradores de favelas, que sem estruturas básicas e ausência de ações sociais, não tiram o sorriso do rosto e acordam dia após dia para continuar suas tarefas, buscando manter a alegria; são os aposentados que tem na Previdência sua única fonte de renda e muitas vezes têm que voltar a trabalhar para complementar a renda familiar; não podendo ser esquecidos os estudantes, que se preparam por mais de quinze anos e permanecem estudando ininterruptamente para produzir mais para suas famílias e para o nosso País.

            Como não lembrar os nossos combatentes das Forças Armadas, que apesar do pequeno efetivo, dos reduzidos recursos e injustiças históricas a que se submetem, continuam a ocupar e manter o nosso Brasil, servindo de esperança e confiança ao povo brasileiro; cabendo mencionar ainda os policiais, que persistem na busca da nossa segurança e arriscam a própria vida por longos anos para conseguir alcançar a tranquilidade e o bem estar geral.

            Resilientes, por fim, são os profissionais de saúde que tratam a todos, se expondo ao contágio das mais variadas doenças, nos propiciando esperança, especialmente quando estamos mais fragilizados. E o fazem com todas as dificuldades conjunturais.

            Resiliência é ter fé em Deus, em algo superior, não importando a religião ou o credo, pois servem de apoio e permitem que, através dessa crença, acreditemos que somos capazes de remover montanhas. Montanhas apresentam-se de forma diferente para cada um assim, o que pode parecer simples para um, pode significar a maior limitação que outro já enfrentou. 

            Importante é ter em mente que não existe o impossível para aquele que crê, e esta certeza é o que faz o resiliente continuar caminhando.

            O Resiliente de verdade continua crendo que o Brasil é o país do futuro, tendo cada vez mais a certeza que isso é a pura verdade, e que cada um pode fazer sua parte; que na busca do bem comum, ajudar ao próximo certamente trará imensa alegria e paz de espírito, imprescindíveis para que a jornada seja leve.

            Resiliência, resumida em poucas palavras, é manter-se na fé cotidiana de que o melhor de nossas vidas, sempre está por vir.
 
General Roberto Sebastião Peternelli Júnior.